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quarta-feira, 16 de setembro de 2015

desabafo #1

Isto de se trabalhar numa companhia de teatro nem sempre é pêra doce. Por norma, toda a gente pensa que é um espectáculo (get it?) e que é cheio de glamour e afins. Onde está a parte do glamour eu não sei, mas o certo é que às vezes apanhamos umas pérolas jeitosas e a maior parte das vezes a nossa sanidade mental voa pela janela para nunca mais voltar.
Com as recentes mudanças na companhia, fomos obrigados a fazer castings e entrevistas para assistentes. Com os castings posso eu bem porque já os faço desde o tempo da faculdade. As entrevistas de emprego é que vão ser giras. Ainda vou mandar um dos candidatos dançar o vira e escolher o que dança melhor em vez do que faz melhor produção.
Com estas situações apercebo-me um pouco de que os rótulos que algumas pessoas colocam aos artistas não é assim muito errado. Com o avançar do tempo as pessoas mudaram as suas mentalidades a respeito dos artistas, mas eu ainda sou do tempo em que para muita gente os actores eram pessoas com baixo QI e que acabavam na representação porque não serviam para mais nada.
Ao organizar estes castings e entrevistas vi que algumas pessoas ainda se enquadram nesse estereotipo e se ao inicio até podia ser engraçado, ao fim de algum tempo já começa a ser desesperante.
Vamos por pontos, sim? O anuncio pedia actores (masculinos) da zona do Porto e assistentes de produção da zona do Porto. Em ambos os casos pedimos disponibilidade imediata. Todas as características estão explicitas nos anúncios.

Situação I
Tivemos uma mão cheia de actrizes a candidatar-se ao casting. Sim, ao casting e não ás entrevistas para assistente.

Situação II
Tivemos candidaturas de pessoal do Brazil (três), pessoal do Algarve, Lisboa e outras zonas que não pertencem ao Porto.

Situação III
Pessoas que se candidatam tanto para o casting como para as entrevistas mas que têm um projecto para o próximo mês ou vão de férias.

Situação IV
Pessoas que andaram contigo na faculdade e que mandam o CV e a seguinte frase: "tu já me conheces por isso não preciso de fazer uma apresentação".

Situação V
Pessoas com CV's que fazem concorrência aos "Os Miseráveis" sem dificuldade alguma.

Situação VI
Pessoas que enviam e-mail só com um anexo e sem qualquer texto, nem sequer um "boa tarde" ou o oposto, pessoas que enviam um e-mail a dizer que o CV vai em anexo e não há nada em anexo.

Pode-se dizer que foi uma semana em que muitas vezes me viam a suspirar de frustração ou a bater com a cabeça na parede.
Quando se candidata a um posto, qualquer que seja a área, deve de se ler bem o anuncio e saber analisar se nos enquadramos no que nos pedem. Se o anuncio pede um actor e que seja da zona do Porto, eu não me vou candidatar se for uma mulher que vive em Coimbra (não vamos falar das situações do Brasil que não vale a pena).
Segundo, se me pedem disponibilidade imediata mas eu só tenho disponibilidade em Novembro, das duas uma, ou envio um e-mail a explicar a situação a ver se há hipóteses ou não me candidato. Não vou fazer as pessoas gastarem tempo a ver o meu CV e tirar vaga a outra pessoa para na realidade não ir ao encontro do que pedem no anuncio.
Depois, se me conhecem do tempo de faculdade sabem que comigo é pão pão, queijo queijo. Sim, fomos da mesma turma na faculdade, mas se te estás a candidatar a uma vaga de emprego sê um pouco profissional já que muito provavelmente é isso que estamos à procura. E depois, pensa um bocado, nunca fizemos um único trabalho juntos na faculdade e mal falávamos por isso, não, eu não te conheço.
E os longos CV's? Sim gente, experiência é boa. Sim, eu sei que querem mostrar que sabem mudar um pneu e trocar uma lâmpada, mas não quero ler nove páginas de texto corrido (sim, nem era em tópicos) para chegar a meia dúzia de características que me chamam a atenção num assistente. Curto e simples, se se sentirem inspirados para escrever um longo texto para enviarem, escrevam uma carta de motivação ao algo do género, porque os CV's são para vista rápida das vossas características.
E falo daquela gente que está mesmo interessada no cargo, especialmente em assistente de produção, que apenas enviam um anexo? Quer dizer, eu não quero nenhuma obra literária, mas não fica nada mal abrir um e-mail e ter lá um "bom dia". E também não é muito bom sinal quando se esquecem de anexar o CV.
Não me venham dizer que a vida de chefe de uma companhia de teatro é glamourosa porque não é e eu desconfio que muita gente pensa que eu levo a vida do Spielberg quando lhes digo que sou licenciada em Cinema e sou produtora numa companhia de teatro.

1 comentário:

maria mestre disse...

Bem parece que a tua vida nos últimos tempos não tem sido nada simples, se fosse comigo já tinha uns bons motivos para andar à cabeçada com um computador quando me chegassem e-mails desse tipo.
Beijinhos.
Maria Crescida
Maria Sem Limites