Não gosto de ser patroa e depois de hoje a minha perspectiva sobre o título mudou.
Nunca tive que despedir ninguém, mas hoje isso aconteceu e tenho a dizer que estou plenamente de consciência tranquila com a minha decisão, o que me surpreendeu porque pensei que me iria sentir culpada ou que nem sequer iria conseguir avançar e resolver a situação.
Posso dizer que fui obrigada a tomar esta decisão. Quando fiz a proposta de trabalho aos actores da companhia sempre lhes disse que tinha em mente duas peças de teatro, sendo que todos os actores iriam participar nas duas peças. Todos concordaram e ninguém mostrou desinteresse nisso.
Pelo meio de peripécias e afins ainda só tivemos tempo de ensaiar uma delas.
Hoje passei a maior parte da tarde com a minha irmã e o telemovel ficou esquecido no quarto. Qual não é o meu espanto quando pego no telemovel e vejo duas chamadas não atendidas e uma sms do encenador e uma conversa de grupo com os elementos da companhia?
Depois de ficar a par do que se estava a passar respirei bem fundo e comecei a stressar.
Um dos actores criou uma conversa de grupo onde exigia (e sim, exigia) ficar na companhia mas apenas fazer uma peça. Ora, eu aceitando tal seria obrigada a contratar mais um actor e isso seria mais uma despesa para a qual não tenho possibilidade.
Depois de falar com o encenador acabei por chegar a uma decisão: ou ele fazia as duas peças como ficara combinado ou então eu teria que o mandar embora porque não tinha hipóteses de ter mais um actor a fazer o trabalho que não apetecia fazer ao outro.
Eu confesso que durante toda a conversa que tive com o actor em questão e o resto da companhia eu deveria de parecer uma autentica burra deficiente. O meu problema era que no decorrer desta semana surgiram novos projectos e oportunidades das quais eu ia hoje falar com eles mas se ele saísse eu não queria que ele saísse com o conhecimento desses mesmos projectos, daí as minhas respostas demoradas e o gaguejar constante.
Depois de lhe explicar o meu ponto de vista e de lhe relembrar que eu é que tenho a palavra final e não são os actores que gerem a companhia, ele acabou por enveredar pelo caminho do que nós chamamos aqui no Porto de "bate boca".
Chegou a um ponto em que eu já só lhe repetia as mesmas respostas porque ele só fazia as mesmas perguntas mas de maneira diferente até que um dos outros actores acabou por intervir (okay, eu quase que o obriguei porque para além da minha voz gaga eu só ouvi ele a bufar). Fazendo-o ver que basicamente o que eu lhe estava a dizer era que ou ele fazia as duas peças ou se ia embora, que eu lhe estava a dar duas opções. Mais directo ele não podia ter sido e mesmo assim não resultou, ele continuou com o "bate boca".
Eu só pensava para mim: "respira, não sejas malcriada, os teus pais deram-te educação, nem toda a gente é racional". Incrivelmente isto durou uns bons dois minutos até eu lhe dizer "ou fazes as duas peças ou tens ali a porta, ela está aberta para quem a quiser usar".
Não gosto de conflitos, mas aquele era mesmo um caso perdido e por mais que eu lhe explicasse a situação não havia volta a dar.
Depois disto tudo veio a calma. Claro que ele saiu dramaticamente ... deixou os guiões e bateu a porta, mas depois daquele bang! veio a calma.
Houve situações mal entendidas que tinham sido criadas por ele e que foram faladas e resolvidas, porque ele era esse tipo de pessoa: eu tinha sempre que me justificar com ele. Eu dizia algo, ele distorcia, dizia essas palavras distorcidas aos outros actores e depois eu tinha que ir atrás dizer que afinal as coisas não eram bem como ele estava a dizer.
Sempre tive a política da honestidade na companhia, nada era feito sem o conhecimento de todos e se um dia o actor A faltava e algo era falado referente a essa falta, no ensaio seguinte o actor A tinha conhecimento do que fora dito, bem ou mal. E a minha sorte em todas essas situações era que o encenador estava lá e ouvia tudo, mas se não fosse esse o caso seria sempre a minha palavra contra a dele.
E como disse, depois disto tudo veio a calma. Era como se uma nuvem negra tivesse saído daquela sala. Os actores que antes estavam desmotivados parecia ter ganho novo alento e até nos estiveram a ajudar com os novos projectos e saíram do ensaio (que não foi ensaio) mais entusiasmados com o futuro da companhia.
Nunca pensei que iria despedir alguém, mas também nunca pensei que ao fazê-lo fosse possível sentir-me tão livre de culpa e contente por o ter feito. Prefiro ter dois actores motivados do que três actores que estão ali só por estar.
Gerir uma companhia de teatro não é fácil, mas acho que começo a apanhar o jeito daquilo.
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quarta-feira, 18 de novembro de 2015
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
desabafo #1
Isto de se trabalhar numa companhia de teatro nem sempre é pêra doce. Por norma, toda a gente pensa que é um espectáculo (get it?) e que é cheio de glamour e afins. Onde está a parte do glamour eu não sei, mas o certo é que às vezes apanhamos umas pérolas jeitosas e a maior parte das vezes a nossa sanidade mental voa pela janela para nunca mais voltar.
Com as recentes mudanças na companhia, fomos obrigados a fazer castings e entrevistas para assistentes. Com os castings posso eu bem porque já os faço desde o tempo da faculdade. As entrevistas de emprego é que vão ser giras. Ainda vou mandar um dos candidatos dançar o vira e escolher o que dança melhor em vez do que faz melhor produção.
Com estas situações apercebo-me um pouco de que os rótulos que algumas pessoas colocam aos artistas não é assim muito errado. Com o avançar do tempo as pessoas mudaram as suas mentalidades a respeito dos artistas, mas eu ainda sou do tempo em que para muita gente os actores eram pessoas com baixo QI e que acabavam na representação porque não serviam para mais nada.
Ao organizar estes castings e entrevistas vi que algumas pessoas ainda se enquadram nesse estereotipo e se ao inicio até podia ser engraçado, ao fim de algum tempo já começa a ser desesperante.
Vamos por pontos, sim? O anuncio pedia actores (masculinos) da zona do Porto e assistentes de produção da zona do Porto. Em ambos os casos pedimos disponibilidade imediata. Todas as características estão explicitas nos anúncios.
Situação I
Tivemos uma mão cheia de actrizes a candidatar-se ao casting. Sim, ao casting e não ás entrevistas para assistente.
Situação II
Tivemos candidaturas de pessoal do Brazil (três), pessoal do Algarve, Lisboa e outras zonas que não pertencem ao Porto.
Situação III
Pessoas que se candidatam tanto para o casting como para as entrevistas mas que têm um projecto para o próximo mês ou vão de férias.
Situação IV
Pessoas que andaram contigo na faculdade e que mandam o CV e a seguinte frase: "tu já me conheces por isso não preciso de fazer uma apresentação".
Situação V
Pessoas com CV's que fazem concorrência aos "Os Miseráveis" sem dificuldade alguma.
Situação VI
Pessoas que enviam e-mail só com um anexo e sem qualquer texto, nem sequer um "boa tarde" ou o oposto, pessoas que enviam um e-mail a dizer que o CV vai em anexo e não há nada em anexo.
Pode-se dizer que foi uma semana em que muitas vezes me viam a suspirar de frustração ou a bater com a cabeça na parede.
Quando se candidata a um posto, qualquer que seja a área, deve de se ler bem o anuncio e saber analisar se nos enquadramos no que nos pedem. Se o anuncio pede um actor e que seja da zona do Porto, eu não me vou candidatar se for uma mulher que vive em Coimbra (não vamos falar das situações do Brasil que não vale a pena).
Segundo, se me pedem disponibilidade imediata mas eu só tenho disponibilidade em Novembro, das duas uma, ou envio um e-mail a explicar a situação a ver se há hipóteses ou não me candidato. Não vou fazer as pessoas gastarem tempo a ver o meu CV e tirar vaga a outra pessoa para na realidade não ir ao encontro do que pedem no anuncio.
Depois, se me conhecem do tempo de faculdade sabem que comigo é pão pão, queijo queijo. Sim, fomos da mesma turma na faculdade, mas se te estás a candidatar a uma vaga de emprego sê um pouco profissional já que muito provavelmente é isso que estamos à procura. E depois, pensa um bocado, nunca fizemos um único trabalho juntos na faculdade e mal falávamos por isso, não, eu não te conheço.
E os longos CV's? Sim gente, experiência é boa. Sim, eu sei que querem mostrar que sabem mudar um pneu e trocar uma lâmpada, mas não quero ler nove páginas de texto corrido (sim, nem era em tópicos) para chegar a meia dúzia de características que me chamam a atenção num assistente. Curto e simples, se se sentirem inspirados para escrever um longo texto para enviarem, escrevam uma carta de motivação ao algo do género, porque os CV's são para vista rápida das vossas características.
E falo daquela gente que está mesmo interessada no cargo, especialmente em assistente de produção, que apenas enviam um anexo? Quer dizer, eu não quero nenhuma obra literária, mas não fica nada mal abrir um e-mail e ter lá um "bom dia". E também não é muito bom sinal quando se esquecem de anexar o CV.
Não me venham dizer que a vida de chefe de uma companhia de teatro é glamourosa porque não é e eu desconfio que muita gente pensa que eu levo a vida do Spielberg quando lhes digo que sou licenciada em Cinema e sou produtora numa companhia de teatro.
Com as recentes mudanças na companhia, fomos obrigados a fazer castings e entrevistas para assistentes. Com os castings posso eu bem porque já os faço desde o tempo da faculdade. As entrevistas de emprego é que vão ser giras. Ainda vou mandar um dos candidatos dançar o vira e escolher o que dança melhor em vez do que faz melhor produção.
Com estas situações apercebo-me um pouco de que os rótulos que algumas pessoas colocam aos artistas não é assim muito errado. Com o avançar do tempo as pessoas mudaram as suas mentalidades a respeito dos artistas, mas eu ainda sou do tempo em que para muita gente os actores eram pessoas com baixo QI e que acabavam na representação porque não serviam para mais nada.
Ao organizar estes castings e entrevistas vi que algumas pessoas ainda se enquadram nesse estereotipo e se ao inicio até podia ser engraçado, ao fim de algum tempo já começa a ser desesperante.
Vamos por pontos, sim? O anuncio pedia actores (masculinos) da zona do Porto e assistentes de produção da zona do Porto. Em ambos os casos pedimos disponibilidade imediata. Todas as características estão explicitas nos anúncios.
Situação I
Tivemos uma mão cheia de actrizes a candidatar-se ao casting. Sim, ao casting e não ás entrevistas para assistente.
Situação II
Tivemos candidaturas de pessoal do Brazil (três), pessoal do Algarve, Lisboa e outras zonas que não pertencem ao Porto.
Situação III
Pessoas que se candidatam tanto para o casting como para as entrevistas mas que têm um projecto para o próximo mês ou vão de férias.
Situação IV
Pessoas que andaram contigo na faculdade e que mandam o CV e a seguinte frase: "tu já me conheces por isso não preciso de fazer uma apresentação".
Situação V
Pessoas com CV's que fazem concorrência aos "Os Miseráveis" sem dificuldade alguma.
Situação VI
Pessoas que enviam e-mail só com um anexo e sem qualquer texto, nem sequer um "boa tarde" ou o oposto, pessoas que enviam um e-mail a dizer que o CV vai em anexo e não há nada em anexo.
Pode-se dizer que foi uma semana em que muitas vezes me viam a suspirar de frustração ou a bater com a cabeça na parede.
Quando se candidata a um posto, qualquer que seja a área, deve de se ler bem o anuncio e saber analisar se nos enquadramos no que nos pedem. Se o anuncio pede um actor e que seja da zona do Porto, eu não me vou candidatar se for uma mulher que vive em Coimbra (não vamos falar das situações do Brasil que não vale a pena).
Segundo, se me pedem disponibilidade imediata mas eu só tenho disponibilidade em Novembro, das duas uma, ou envio um e-mail a explicar a situação a ver se há hipóteses ou não me candidato. Não vou fazer as pessoas gastarem tempo a ver o meu CV e tirar vaga a outra pessoa para na realidade não ir ao encontro do que pedem no anuncio.
Depois, se me conhecem do tempo de faculdade sabem que comigo é pão pão, queijo queijo. Sim, fomos da mesma turma na faculdade, mas se te estás a candidatar a uma vaga de emprego sê um pouco profissional já que muito provavelmente é isso que estamos à procura. E depois, pensa um bocado, nunca fizemos um único trabalho juntos na faculdade e mal falávamos por isso, não, eu não te conheço.
E os longos CV's? Sim gente, experiência é boa. Sim, eu sei que querem mostrar que sabem mudar um pneu e trocar uma lâmpada, mas não quero ler nove páginas de texto corrido (sim, nem era em tópicos) para chegar a meia dúzia de características que me chamam a atenção num assistente. Curto e simples, se se sentirem inspirados para escrever um longo texto para enviarem, escrevam uma carta de motivação ao algo do género, porque os CV's são para vista rápida das vossas características.
E falo daquela gente que está mesmo interessada no cargo, especialmente em assistente de produção, que apenas enviam um anexo? Quer dizer, eu não quero nenhuma obra literária, mas não fica nada mal abrir um e-mail e ter lá um "bom dia". E também não é muito bom sinal quando se esquecem de anexar o CV.
Não me venham dizer que a vida de chefe de uma companhia de teatro é glamourosa porque não é e eu desconfio que muita gente pensa que eu levo a vida do Spielberg quando lhes digo que sou licenciada em Cinema e sou produtora numa companhia de teatro.
terça-feira, 1 de setembro de 2015
anime, teatro e férias.
Eu não me esqueci que tinha um blog, simplesmente o tempo e paciência não têm andado para estes lados.
Quem diria, no inicio do ano, que a vida poderia correr tão diferente daquilo que tínhamos planeado? Eu tenho um problema com o controlo. Está clinicamente provado (e não estou a ser irónica ou algo do género). Entro em paranóia se as coisas fogem do meu controlo e este ano isso está a ser o pão nosso de cada dia. Mas curiosamente tudo isso se enquadra na categoria do "no bom sentido".
Por esta altura esperava ter uma viagem marcada para Londres (para umas merecidas férias), mas todo o dinheiro que tinha para a viagem e para percorrer os musicias de West End de ponta a ponta foi investido na nova companhia de teatro (que agora estou a dirigir sozinha). Fiquei triste? Sim, mas apenas porque a intenção era visitar a Lau, mas já nos resolvemos quanto a esse assunto.
Tal como disse, estou a dirigir a companhia de teatro sozinha. Confesso que inicialmente estava cheia de medo, mas das duas uma, ou desistia da companhia ou arriscava. Bem, como pelos vistos estou no ano de arriscar, lá fui eu.
Pelo meio disto tudo perdi uma amiga, mas com amigas como aquelas mais vale estar sozinha. Quem é que decide deixar uma parceria porque simplesmente não está para ficar responsável pelo negócio durante uma semana (onde o único trabalho que tinha era agendar ensaios por cinco dias)? E para cúmulo dos cúmulos? Eu ia de férias numa Segunda Feira e nessa Segunda Feira foi quando ela me decidiu dizer que ia sair da Companhia.
Resumindo, estou a morrer por uma semana de férias e pelo andar da carruagem tão cedo não a vou ter.
Em contrapartida voltei a "viajar" no tempo e regressei ao tempo em que só via anime. Finalmente estou a par de Naruto, estou finalmente a terminar de ver Bleach e ... não sei que mais ver. Juro, estive tanto tempo afastada desse mundo que não faço ideia quais são os animes que por aí andam. Da pouca pesquisa que fiz sei que "Attack on Titan" é bastante falado, mas de resto ... zero. Sugestões?
Aos poucos e poucos vou voltando a entrar no mundo do anime e cada vez mais me surge a pergunta "porque raio deixei de ver anime? porque é que deixei de ir a eventos e afins?" ...Anyway, o que importa é que voltei.
E, para ser sincera, não se tem passado muito mais do que isso, porque passo os dias a trabalhar e as poucas horas livres que tenho depois do jantar são para descansar porque isto de trabalhar das 8horas ás 19horas tem muito que se lhe diga.
(Mudei o blog do Wordpress para o meu antigo endereço, porque verdade seja dita, eu não entendo nada daquilo e sempre me desenrasco melhor no blogger)
Quem diria, no inicio do ano, que a vida poderia correr tão diferente daquilo que tínhamos planeado? Eu tenho um problema com o controlo. Está clinicamente provado (e não estou a ser irónica ou algo do género). Entro em paranóia se as coisas fogem do meu controlo e este ano isso está a ser o pão nosso de cada dia. Mas curiosamente tudo isso se enquadra na categoria do "no bom sentido".
Por esta altura esperava ter uma viagem marcada para Londres (para umas merecidas férias), mas todo o dinheiro que tinha para a viagem e para percorrer os musicias de West End de ponta a ponta foi investido na nova companhia de teatro (que agora estou a dirigir sozinha). Fiquei triste? Sim, mas apenas porque a intenção era visitar a Lau, mas já nos resolvemos quanto a esse assunto.
Tal como disse, estou a dirigir a companhia de teatro sozinha. Confesso que inicialmente estava cheia de medo, mas das duas uma, ou desistia da companhia ou arriscava. Bem, como pelos vistos estou no ano de arriscar, lá fui eu.
Pelo meio disto tudo perdi uma amiga, mas com amigas como aquelas mais vale estar sozinha. Quem é que decide deixar uma parceria porque simplesmente não está para ficar responsável pelo negócio durante uma semana (onde o único trabalho que tinha era agendar ensaios por cinco dias)? E para cúmulo dos cúmulos? Eu ia de férias numa Segunda Feira e nessa Segunda Feira foi quando ela me decidiu dizer que ia sair da Companhia.
Resumindo, estou a morrer por uma semana de férias e pelo andar da carruagem tão cedo não a vou ter.
Em contrapartida voltei a "viajar" no tempo e regressei ao tempo em que só via anime. Finalmente estou a par de Naruto, estou finalmente a terminar de ver Bleach e ... não sei que mais ver. Juro, estive tanto tempo afastada desse mundo que não faço ideia quais são os animes que por aí andam. Da pouca pesquisa que fiz sei que "Attack on Titan" é bastante falado, mas de resto ... zero. Sugestões?
Aos poucos e poucos vou voltando a entrar no mundo do anime e cada vez mais me surge a pergunta "porque raio deixei de ver anime? porque é que deixei de ir a eventos e afins?" ...Anyway, o que importa é que voltei.
E, para ser sincera, não se tem passado muito mais do que isso, porque passo os dias a trabalhar e as poucas horas livres que tenho depois do jantar são para descansar porque isto de trabalhar das 8horas ás 19horas tem muito que se lhe diga.
(Mudei o blog do Wordpress para o meu antigo endereço, porque verdade seja dita, eu não entendo nada daquilo e sempre me desenrasco melhor no blogger)
quinta-feira, 9 de abril de 2015
new start.
Tenho andado tão atarefada que nem tempo tenho para vir aqui desabafar. Estas duas últimas semanas foram um correrio e, por muito que me queixe, até sabe bem.
Vamos pelo principio. Despedi-me. Eu disse que este ano ia começar a ser mais egoísta e que iria começar a fazer as coisas á minha maneira. Como já tinha dito, nunca tive tensões de subir de posto na companhia de teatro onde estava, mas só porque não quero subir de chefe de produção para patroa não quer dizer que os outros têm direito a mandar na minha equipa, no meu trabalho e que cheguem mesmo a insultar e desvalorizar o trabalho que uma equipa de produção faz.
Eu não desvalorizo o trabalho dos actores, muito pelo contrário, mas o que muitos deles não se lembram é que eles ensaiam uma ou duas vezes por semana (se tanto) fazem o espectáculo e já está. A equipa de produção trabalha a semana toda, de manha á noite. E agora digam-me, é justo que essa mesma equipa receba menos que os actores? Não, mas o mal nem estava aí, eu sabia quanto ia receber quando aceitei trabalhar na companhia. O mal está quando os actores que não sabem patavina de produção se querem meter nesses assuntos e lhes chamam de insensitivo.
Passo a explicar. Cada elemento da produção recebe 10% do valor de cada espectáculo. Trata-se de uma equipa de duas pessoas, o que perfaz um total de 20% para a produção e o resto é dividido entre actores, fundo de caixa e despesas de deslocação.
Foi sugerido por um dos actores que apenas a pessoa que faz a marcação do espectáculo receba a percentagem total de 10% e que a outra pessoa receba uma percentagem inferior, sendo que o restante seja distribuído pelos actores ou fundo de caixa.
Nós trabalhamos que nem umas escravas e recebemos uma esmola (eu no ultimo espectáculo recebi o suficiente para me pagar o almoço nesse dia) e ainda querem diminuir mais o dinheiro que recebemos baseado na sorte que uma de nós possa ter em encontrar uma escola que esteja disposta a receber uma peça de teatro? MAS ESTÃO A GOZAR COM A MINHA CARA?
Em primeiro lugar não foi o combinado quando comecei a trabalhar lá e segundo, por muito que goste de ajudar as pessoas, também tenho as minhas despesas e não vou tirar do meu bolso para encher os bolsos dos outros que já por eles recebem o seu salário.
Claro que quando me vim embora ficou aquele vazio e a pergunta "o que raio vou eu agora fazer á minha vida?". Sempre me debati com o facto de achar que estava aqui só por estar, que nada do que fiz até agora deixou uma marca. Típicas perguntas existenciais.
Desde a faculdade que o pessoal anda a chatear-me a cabeça (e também a uma amiga minha) para abrirmos a nossa própria produtora. A minha dúvida nunca foi se tinha capacidades para abrir e levar avante a minha própria produtora, a minha dúvida é referente á minha capacidade de comandar, de impor respeito e de ser "visível". Pelo amor da santa, ainda há uns dias um cliente entrou no escritório do armazém, olhou-me nos olhos e foi-se embora e quando o meu pai lhe disse que eu estava no escritório ele disse-lhe "eu não vi lá ninguém" (diga-se de passagem que se já não ia com a cara do homem, agora nem o posso ver a frente). São esse tipo de situações que me fazem sentir insignificante e incapaz de ser patroa de quem quer que seja.
E depois há aqueles momentos chaves na vida. Não importa se é uma saída, uma conversa ou um filme. No meu caso foi uma música.
Sempre tive tendência a gostar das musicas pelas suas mensagens e que se lixasse o estilo em que se inseria. E no meio de todas as músicas que ouço eis que surge esta:
E foi simples. Que mais podia fazer depois de ouvir esta música e ver este video?
Meti mãos há obra e posso afirmar, com orgulho, que a nova companhia de teatro tem mais projectos e apoios do que a companhia onde trabalhei por quase dois anos teve no decorrer da sua existência. Ponto positivo, ainda não temos atores ou qualquer referência social na net. Se nós num espaço de duas semanas conseguimos tudo isto, imaginem o que será possível daqui para a frente.
Posso dizer que o nosso bebé ainda não nasceu oficialmente, mas já me deixa bastante orgulhosa e a equipa que temos até agora ainda mais orgulhosa me deixa.
E é este o meu motivo para estar desaparecida em combate. Juntem a isto as limpezas da Páscoa, o trabalho no armazém e as leituras extras que este novo projecto obriga e temos uma Diana a mil há hora e sem tempo para o que quer que seja extra.
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